sexta-feira, 27 de março de 2009

Dia Mundial do Teatro - Mensagem de Augusto Boal


Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida! Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro! 

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro. 

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, o palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver, tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Verdade escondida 

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro, apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós, em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da bolsa quando fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias. 

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre: no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida". 

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida. 

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma! 

Augusto Boal

quinta-feira, 26 de março de 2009

Prémio da Crítica atribuído a João Brites


A Associação Portuguesa de Críticos de Teatro atribuiu o Prémio da Crítica, relativo ao ano de 2008, a João Brites pela criação de Saga - Ópera extravagante.

O júri foi constituído por Ana Pais, Constança Carvalho Homem, João Carneiro, Maria Helena Serôdio e Rui Pina Coelho.

O mesmo júri decidiu ainda atribuir três Menções Especiais, respectivamente, à actriz Carla Galvão, ao encenador Miguel Loureiro, e ao encenador Nuno Cardoso.

A distinção atribuída pelo júri da APCT a João Brites sublinha o que, no seu trabalho criativo realizado em 2008 com o bando, se revelou consistente com uma opção estética que vem construindo inventivamente há mais de 30 anos, mas que não exclui a surpresa e, por vezes mesmo, o assombro. Foi manifestamente o caso do espectáculo Saga – Ópera extravagante, uma produção ousada que irrompeu no claustro interior do Museu de Marinha (em Belém) e que se revelou original na concepção, arrojada na realização cenográfica, bem como festiva na componente musical e na voz de cantores líricos, populares e de heavy/rock.

Interpelando uma vez mais lugares importantes da nossa literatura e do nosso imaginário, João Brites partiu aqui de dois contos de Sophia de Mello Breyner Andresen (Saga e Silêncio) para os reconciliar com uma vibrante e comovente partitura operática de Jorge Salgueiro, a que se acrescentava uma impressiva presença de 60 músicos da Banda da Armada e interpretações notáveis de cantores e actores. Uma criação invulgar que conferia espessura simbólica aos sentimentos evocados nos textos de Sophia e que reconstruía em cena algumas das perplexidades que atravessam a interrogação de nós próprios na cultura portuguesa.

Sobre a attrubição da Mensão especial à actriz Carla Galvão, o juri refere que, desde cedo a jovem actriz acostumou-nos a trabalhos de grande apuro e exigência, mas no ano transacto atingiu patamares de particular excelência. Depois de nos encantar com a narração mágica de Contos em Viagem: Cabo Verde (Teatro Meridional, 2007), atingiu-nos com a brutal recriação de uma filha prostrada na cama pela doença em Acamarrados (Artistas Unidos), para em seguida nos maravilhar com a jovialidade contagiante de uma neta sonhadora e cantora em Canção do vale (Teatro dos Aloés). Actriz com uma identidade artística bem definida, Carla Galvão habita de forma intensa os universos simbólicos em que se movimenta e põe a sua vasta paleta expressiva ao serviço dos espectáculos e dos diferentes projectos que vai abraçando sempre com a mesma imensa generosidade e com a mesma qualidade superlativa

Sobre o encenador Miguel Loureiro, refere também o juri que ao longo do seu percurso como actor e encenador, sobretudo nos projectos que promoveu, desenhou um território único, revelador de um imaginário exuberante mas depurado, sustentado por uma sólida e erudita linha de interrogações sobre o teatro e a performance. Em 2008, depois do estival Strange Fruit, a sua encenação de Juanita Castro, de Ronald Tavel (estreado como filme pela mão de Andy Warhol, em 1965), surgiu como uma inesperada pedra no charco no panorama performativo português. Reunindo actores e afectos em torno de um projecto sem outros recursos que os de uma logística básica e camaradagem profissional, Juanita não só firmou um extraordinário sinal da vitalidade do fazer teatral, tantas vezes abafado por ambições desmedidas ou fórmulas gastas, mas também constituiu uma brilhante e oportuna interpelação da história da performance e, consequentemente, do seu lugar nela. Por isto, este projecto mereceu uma menção especial do júri que assim se declara em total desacordo com a afirmação do encenador na folha de sala "Juanita Castro é um espectáculo que poderia não ser feito". Ainda bem que o fez. 

Por último, o juri considerou que, enquanto encenador, Nuno Cardoso tem vindo a descrever nos últimos anos um notável percurso de apropriação dos clássicos da dramaturgia europeia, dentre os quais se destacam Ibsen, Wedekind e Büchner. 2008 foi o seu ano de estreia com Tchekov, tomando como laboratório uma peça de juventude, a pérola irregular a que convencionou chamar-se Platónov. Nuno Cardoso assina um espectáculo excepcional que devolve com vigor e sageza o capítulo introdutório da mais familiar narrativa tchekoviana: ruína, paralisia, futilidade, inconstância. O encenador chama velhos e novos cúmplices à construção de uma atmosfera encantatória onde se sucedem, por entre os serões de província, pequenos delitos e hesitações. Com um conjunto de intérpretes justíssimo e uma acentuada vertente coreográfica e visual, Platónov foi, sem dúvida, um dos vértices do teatro que pudemos ver em 2008.

Inestética: audição Bailarinas/Performers

A Inestética procura bailarinas com experiência artística e formação técnica para performance de Alexandre Lyra Leite, a estrear em Maio de 2009.

Tratando-se de um projecto com influências do teatro/dança japonesa, serão seleccionadas intérpretes que demonstrem rigor, fluidez, concentração e objectividade na execução do movimento.

A audição decorrerá em Vila Franca de Xira, no dia 1 de Abril (local e horário a confirmar após recepção da inscrição).

DISPONIBILIDADE > Abril (ensaios), Maio (apresentações)

INSCRIÇÃO > enviar CV e FOTO até 30 Março para inestetica@mail.telepac.pt

Caso se justifique será efectuada uma pré-selecção através de CV.

www.inestetica.com

Companhia instável procura assistente administrativo(a)

A Companhia Instável procura assistente administrativo/a, com conhecimentos na área de produção de espectáculos, para um part-time de 20 horas semanais.

Solicita-se envio currículo até dia 3 de Abril, 6ª feira, para e-mail: c.instavel@mail.telepac.pt

Local: Porto


quarta-feira, 25 de março de 2009

Estreia hoje texto de Luís Mestre


OS QUE SUCEDEM , estreia hoje no Estúdio Zero, no Porto, com texto de Luís  Mestre e encenação de Manuel Tur.

Três jovens executam um assalto com contornos misteriosos. Acossados e feridos decidem esconder-se num espaço abandonado. É nessa noite que as relações entre eles são postas à prova e que as suas memórias mais profundas revelam as heranças familiares.

segunda-feira, 23 de março de 2009

BELÉM URBANA | convite a artistas e criadores portugueses ou estrangeiros

Um dos eixos de programação do próximo Festival – CCB FORA DE SI – a realizar em Julho e Agosto de 2009 incide sobre a arte urbana nas suas múltiplas expressões: música, dança, teatro, novo circo, performance, projectos site specific, cinema e vídeo etc.

Com o intuito de reunir uma programação nacional de qualidade, adaptada às características dos espaços exteriores do Centro Cultural de Belém, vimos convidar artistas e criadores portugueses ou estrangeiros que residam em Portugal a apresentar projectos de pequeno e médio formato em qualquer das áreas mencionadas.

Os projectos devem ser enviados , até ao dia 30 de Abril para:
Fundação Centro Cultural de Belém
CCB FORA DE SI | Rita Bagorro
Praça do Império
1449-003 LISBOA


Para informações adicionais
Rita Bagorro | 21 361 2400 |
rita.bagorro@ccb.pt

domingo, 22 de março de 2009

«Janis e a Tartaruga» no renovado Cine-Teatro Constantino Nery, em Matosinhos


Janis é uma jovem à boleia pelas estradas de um país em mudança. A força interior que a acompanha nesta viagem é apenas um reflexo de uma geração que incorporou a mudança social como o maior dos desejos colectivos.
Janis é a voz de uma juventude que procurou encontrar-se a si própria através do excesso e que procurou na diferença um manifesto para a auto-afirmação. O espaço-tempo desta peça encontra frente-a-frente as drogas e a libertação sexual, a música rebelde e os sentimentos anti-guerra, a luta anti-racista e o alcance de uma existência mais verdadeira.
Muitos verão em Janis a figura lendária de Janis Joplin. Outros sentirão que aquela que caminha é apenas uma entre muitos jovens que decidiram fazer frente a uma América que colocou tartarugas lentas no caminho. 
Janis e a Tartaruga” não é uma biografia. É apenas, de alguma forma, uma visita à geração dos sessenta.
Ficção, monólogo, uma rapariga, uma tartaruga... e outra que aparece no lugar de cada um de nós. 

Texto de Pedro Pinto e Filipe Pinto

Encenação | Luísa Pinto
Direcção musical | Carlos Tê

Interpretação | Filomena Cautela

Até 29 de Março2009

sábado, 21 de março de 2009

João Lagarto encena David Mamet


Até 5 de Abril o Teatro dos Aloés tem em cena, na Amadora, "Blue" de David Mamet. 

É uma selecção e montagem das “pequenas peças e monólogos”de DAVID MAMET. Produções menores? Não. É o próprio MAMET que afirma: “Estas peças de 3 e 10 minutos são a melhor coisa que eu alguma vez fiz”.

Dificilmente se resumiria aqui a história, ou as histórias: “um homem fala sobre o seu cão, uma mulher fala com um homem mais velho sobre a vida no campo, dois amigos dissertam sobre Deus e as coincidências...” 

Na sua espantosa teatralidade estas histórias são uma série variada de vinhetas sobre os ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA.
 
David Mamet – Nasceu em 1947 em Chicago, é actor, encenador, dramaturgo, professor, ensaista, guionista, realizador e produtor.
Os seus primeiros textos são Duck Variations (1972) e Sexual Perversity in Chicago (1974).
Em 1977 é premiado pela Associação de Críticos de Teatro de Nova Iorque.
Receberá ainda o prémio Pulitzer com a peça Glengarry Glen Ross.
Estreia-se na realização com Things Change em 1984 e logo após House of Games e Homocide.
É, na linha de Beckett e de Pinter, um dos mais importantes criadores teatrais do nosso tempo

Tradução e Encenação: João Lagarto
Cenografia e Figurinos: Sara Machado da Graça 
Músico: Afonso Lagarto
Desenho de Luz: João Carlos Marques 

Interpretação: Afonso Lagarto, Joana Bárcia, Jorge Silva, José Peixoto, e Sérgio Praia

sexta-feira, 20 de março de 2009

Felicidade em tempos de crise


Com um enorme sucesso de crítica e de público, o novo trabalho da companhia Cuarta Pared "Siempre Fiesta" está em cena, na capital espanhola, até dia 29 deste mês. Esta peça, que termina a trilogia iniciada com "Café" e seguida de "Rebeldías posibles", é uma fábula social sobre a procura da felicidade dentro da sociedade contemporânea burguesa em tempos de crise. Conta-se aqui a história de uma familia que se refugia nos seus costumes, ideiais e na sua realidade fictícia. O aparente modo de vida perfeito - repleto de hipocrisia - converte-se em algo insustentável que põe em causa o próprio núcleo familiar. A encenação é de Javier G. Yagüe e o texto de Luis García-Araus, Susana Sánchez e Javier G. Yagüe. Para mais informações, consultar o "site" da companhia http://www.cuartapared.es/.

quarta-feira, 18 de março de 2009

TMP com novo logótipo

Após um ano de comemorações – os 20 anos do Teatro de Marionetas do Porto – durante o qual a companhia registou um número recorde de espectáculos (216) e de espectadores (23.017), é iniciado um novo ciclo com o lançamento de um NOVO SITE (www.marionetasdoporto.pt), contendo muito mais informação, no qual se pode consultar todos os aspectos relativos à actividade da companhia, nomeadamente no que se refere à programação.

O Teatro de Marionetas do Porto terá como próxima produção, WONDERLAND, baseada na obra de Lewis Carroll, que irá estar em cena, de 8 a 24 de Maio, no novo Teatro Constantino Nery, em Matosinhos. É um espectáculo para público adulto.

A companhia tem agora um novo logótipo criado por Júlio Vanzeler.

terça-feira, 17 de março de 2009

A Mãe, de Bertolt Brecht, com música de Hanns Eisler


A Mãe, de Bertolt Brecht, com música de Hanns Eisler e encenação de Gonçalo Amorim estreia na CULTURGEST, em Lisboa, Quinta 19 e estará em cena até Domingo 22 de Março de 2009.

Vamos imaginar uma guerra perpétua entre ricos e pobres. E no meio dessa guerra vamos seguir uma heroína: Pelagea Vlassova: A Mãe que já foi de Gorki e de Brecht, e que agora será nossa – A Mãe agora colocada num futuro próximo. Essa que escolhe de forma violenta lutar por um ideal que embala como se fosse um filho, um ideal mais importante que o próprio filho. 

Sendo principalmente uma peça de interiores, A Mãe tem um forte eco do que vem do exterior, das ruas. Nesta encenação este eco é dado pela música e pelo vídeo. O espaço cénico trabalha formas geométricas simples: a linha e o plano. A ideia de chão construído surge por oposição à verticalidade das ideologias materializadas em monumentos e estátuas.
Num mundo de incertezas, esta é uma tentativa de apresentar provocações/soluções outras que nos façam questionar este caminho político único e difuso que, evidentemente, não nos serve. Enquanto artistas vemos A Mãe como uma possibilidade de reflectirmos sobre as ideologias, a família (à luz do “Drama familiar no teatro épico” de que nos fala Benjamin), a loucura, a guerra... Uma possibilidade de começarmos desde já a pensar o futuro. - Gonçalo Amorim

Gonçalo Amorim nasceu em 1976 no Porto. É membro dos Primeiros Sintomas e cooperante do Teatro O Bando, com os quais tem desenvolvido grande parte da sua actividade teatral. Em 2007 ganhou ex-aequo o Prémio da Crítica pela encenação de Foder e ir às compras de Mark Ravenhill.

Título original | Die Mutter (1931) 
Tradução | Lino Marques (Teatro III de Brecht, Livros Cotovia)
Encenação | Gonçalo Amorim
Assistência e pesquisa dramatúrgica | Ana Bigotte Vieira 
Cenografia | Rita Abreu 
Figurinos e adereços | Ana Limpinho e Maria João Castelo 
Tradução das canções ! Pedro Boléo e João Paulo Esteves da Silva
Músico |João Paulo Esteves da Silva
Pesquisa e recolha musical | Pedro Boléo
Sonoplasta| Sérgio Milhano 
Movimento | Vânia Rovisco
Desenho de luz | José Manuel Rodrigues
Construção de cenário | Nuno Tomaz e Carlos Caetano
Design gráfico | Rosa Baptista
Imagem | Frederico Lobo
Produção | Mafalda Gouveia
Assistência de Produção | Andreia Carneiro

Interpretação| Bruno Bravo, Carla Galvão, Carla Maciel, Carloto Cotta, David Pereira Bastos, Mónica Garnel, Paula Diogo, Pedro Carmo, Raquel Castro e Romeu Costa

Co-produção Gonçalo Amorim, Culturgest, Centro Cultural Vila Flor e TEMPO – Teatro Municipal de Portimão

segunda-feira, 16 de março de 2009

Encenação de João Brites a partir de Al Berto


João Brites encena A Noite, a partir do texto Apresentação da Noite, de Al Berto, uma montagem de excertos gravados entre 1981 e 1983, textos inéditos e outras obras como O Medo, Lunário ou À Procura do Vento num Jardim d'Agosto. Poeta surgido nos finais dos anos 70, Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares (1948-1997), distingue-se por uma lírica confessional e reflexiva, marcada pelos afectos.

Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida pelo autor é marcada pela disforia que parece cercar o homem num ambiente que lhe é hostil e que contamina a sua escrita. A palavra ganha um poder exorcizante mostrando-se necessário tornar audível o silêncio onde, como disse Al Berto, “se perde todo e qualquer desejo de escrever”.

Um longo e demorado gesto de despedida. Uma série de jogos, ornamentos inúteis, tentativas de adiar a inevitável ausência que pauta todas as relações. Talvez a vida seja a distracção antes da morte, como um espaço que vai diminuindo, desaparecendo. Talvez, como duas faces de um mesmo espelho que se acompanham nos últimos momentos, o masculino e o feminino se invertam, se desloquem, se dissipem nesta condição humana de sermos breves.”

Interpretação Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil
Dramaturgia e espaço cénico João Brites
Oralidade Teresa Lima
Corporalidade Vânia Rovisco
Figurinos e adereços Clara Bento
Desenho e operação de luz João Cachulo

co-produção Teatro O Bando e Teatro Nacional D. Maria II
até 05 de Abr 2009

domingo, 15 de março de 2009

As Dunas, um texto de Manuel Lourenzo com direcção de Quico Cadaval


Permanecerá em cena no Salón Teatro, Santiago de Compostela, até ao dia 2 de Abril As Dunas, um texto de Manuel Lourenzo com direcção de Quico Cadaval, produzido pelo Centro Dramático Galego.

O Centro Dramático Galego (CDG) estreou no Salón Teatro de Santiago As dunas, obra escrita por Manuel Lourenzo - Prémio Nacional da Cultura Galega 2008 na categoria de Artes cénicas - e dirigida por Quico Cadaval. Autor e director juntam os seus talentos nesta nova produção a que ambos se referem como "um cabaré sobre o paraíso perdido", uma comédia com forte componente onírica que fala sobre especulação urbanística, corrupção, amor, desamor e sexo.

Quico Cadaval volta ao CDG depois do êxito da passada temporada com Noite de Reis. Para esta encenação idealizou uma montagem de teatro, dança e música ao vivo, para o que conta com um elenco multidisciplinar de que fazem parte tanto nomes consagrados como novos valores da cena galega: Paula Buján, Evaristo Calvo, Paulo Oliveira, Manuel Cortés, Susana Dans, Christian Escuredo, Juan Carlos Mosquera "Mos", Iria Pinheiro, Rodrigo Roel e Davide Salvado. Completam a equipa artística Baltasar Patiño, no desenho do espaço cénico e de luz, Gilda Bonpresa (guarda-roupa), Armando Martén (coreografia), Bernardo Martínez (espaço sonoro) e Hugo Torres como assistente de encenação.

A estética do espectáculo inspira-se na cultura popular dos anos setenta, especialmente nos filmes da chamada terceira via (a meio caminho entre o cinema cómico e o de autor), na banda desenhada, na telenovela e na fotonovela. O resultado, nas palavras do próprio encenador, é "uma espécie de pastiche com um pouco de aventura, um pouco de crítica política, um pouco de sexo e um pouco de humor".

sexta-feira, 13 de março de 2009

Escrever teatro no Porto

"Novo Drama" é o nome da iniciativa proposta pelo Teatro Nova Europa para "criar" novos autores no âmbito da escrita teatral. Em co-produção com o Balleteatro e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, este projecto irá receber 12 participantes para uma formação de cerca de 70 horas espalhadas por 23 semanas. Os formadores são Jorge Louraço Figueira e Luís Mestre, já autores conceituados. As inscrições estão abertas até 29 de Março. Os candidatos deverão enviar, além dos dados pessoais e contactos, um curriculum vitae resumido (300 caracteres) e uma carta de motivação (300 caracteres). A título opcional, podem igualmente enviar um trabalho dramatúrgico de sua autoria com uma sinopse. Todo o material deverá ser enviado em formato doc, rtf ou pdf para a morada electrónica teatro.nova.europa@gmail.com. O preço do curso é de 75 euros por pessoa. A formação terá lugar no Balleteatro Escola Profissional, na Ribeira (Porto).

quinta-feira, 12 de março de 2009

Eric-Emmanuel Schmitt na Comuna


Quando amamos, a quem amamos? Saberemos um dia quem é o ser amado? Amor correspondido não é apenas um mal-entendido feliz? Estes são alguns dos eternos mistérios do sentimento amoroso com que dois homens se defrontam em Variações Enigmáticas, texto do dramaturgo francês Eric-Emmanuel Schmitt, agora montado pela Comuna Teatro de Pesquisa.

Apenas numa década, Eric-Emmanuel Schmitt transformou-se num dos autores francófonos mais lidos e representados no mundo. 

Nascido em 1960, licenciado pela Ecole Normale Supérieure de París, catedrático de filosofia, Eric-Emmanuel Schmitt dá-se a conhecer primeiro no teatro com O Visitante, esse encontro hipotético entre Freud e talvez Deus. Seguem-se outros êxitos: Variações enigmáticas, O Libertino, O hotel dos dois mundos, Pequenos crimes conjugais, Os Meus Evangelhos e A Tectónica dos sentimentos. Ganhou vários prémios César e o Grande Prémio de Teatro da Academia Francesa. As suas pecças estão representadas e traduzidas em mais de 50 países.


Elenco: Carlos Paulo e Álvaro Correia

Teatro da Comuna, Lisboa

quarta-feira, 11 de março de 2009

Transacções


Encenada por João Reis, a actriz Catarina Furtado encarna, em "Transacções", a personagem principal, Loren, uma "marchand" não muito bem sucedida que tenta comprar um quadro de Pollock. De 12 de Março a 3 de Maio no Teatro Maria Matos, em Lisboa.

David Truscott é um milionário americano, em processo de divórcio, que pretende desfazer-se de um quadro de Pollock. Loren, a protagonista, é uma marchand que vê neste quadro a possibilidade quase imediata de uma ascensão social e material. Especulando a partir do seu valor de mercado, o quadro será alvo de várias licitações, propostas por personagens com revelações bizarras e relações em queda: Kel, Mindy, Manny, Phyllis, Dawn e Gerry, este último marido de Loren. Personagens à bout de souflle, mas com dinheiro para “estourar” antes de estourarem consigo. Em tempos de crise e desarranjos económicos, o estouro dos ricos não é o mesmo dos pobres. Sobretudo dos que são obscenamente ricos. No complexo e inesgotável mundo do mercado da arte, e dos mais variados conceitos sobre o que é uma obra de arte, Loren procura o seu “anjo” e vê num quadro de Pollock a possibilidade de chegar a ele. “Se nós estamos algures a meio caminho entre o macaco e o anjo – aquilo – (olhando de novo para cima, para a pintura) é o anjo.” 
O anjo como ascensão a um certo status ou como elevação e êxtase artístico?

texto David Williamson

tradução Manuel Portela

encenação João Reis

cenografia Pedro Tudela

figurinos Helena Carmona

assistente de figurinos Vanessa Marques

desenho de luz Nuno Meira

sonoplastia Francisco Leal

interpretação António Durães, Carlos Gomes, Catarina Furtado, Joaquim Horta, Lígia Roque, Mafalda Vilhena, Marta Furtado

co-produção Pura Visão e Teatro Maria Matos

terça-feira, 10 de março de 2009

Contra-bando no Minho


CONTRA-BANDO é um espectáculo de Teatro-Dança que está a ser apresentado em casas de aldeia do Vale do Minho. Essas casas são o palco de um encontro entre a terra, artistas, animais e habitantes.
Todos, em conjunto, estudam os vigorosos trabalhos do campo e da dança, e através do artifício teatral, acendem em cada lareira o fogo das artes. 
O público, ao entrar, celebra um ilusionismo feito com aldeões que se transformam em actores, actores em homens rurais, palha que salta de lenços de assoar, sombras de santos que pairam numa sala, enguias que dançam, pão que se reparte. 
Um espectáculo que acorda as grandes e velhas pedras deste vale. 


FICHA ARTÍSTICA 

Encenação, Dramaturgia e Coreografia: Madalena Victorino 
Assistência Coreográfica: Ainhoa Vidal 
Interpretação e Co-Criação: Ainhoa Vidal, Miguel Fragata, Gonçalo Fonseca, Luís Filipe Silva, Mónica Tavares, Rui Mendonça, Tânia Almeida
Filme Documental: Olga Ramos e Ricardo Rezende


DATAS E LOCAIS DE APRESENTAÇÃO

Vila Nova de Cerveira |Campos | Lugar das Furnas 
“Labaredas” 
13 de Março Sexta-Feira | 21h00 
14 de Março Sábado | 11h30 | 16h00 | 21h00
15 de Março Domingo | 11h30 | 16h00 | 21h00

Monção | Lara | Mercearia dos Vilar 
“Uma pequena ideia de amor”
20 de Março Sexta-Feira | 17h30 
21 de Março Sábado | 11h30 | 15h00 | 17h30 
22 de Março Domingo |11h30 | 15h00 | 17h30 

Valença | Verdoejo | Estufas de Flores
“Saias de sabão”
27 de Março Sexta-Feira |21h00 
28 de Março Sábado |11h30 | 16h00 | 21h00
29 de Março Domingo |11h30 | 16h00 | 21h00

CONTRA-BANDO a salto: 3 a 5 de Abril

domingo, 8 de março de 2009

Alt.09 em Vigo


Entra na segunda semana o 8º Festival Alternativo de Artes Cénicas, de Vigo.

A oitava edição do ALT.o9 apresenta mais uma vez um conjunto de propostas artísticas contemporâneas e inovadoras.

Dirigido por Lola Correa e a Roberto Taboada, esta 8ª edição, a decorrer na cidade galega até 14 de Março, apresenta, na segunda semana de programação que agora começa, “El rey de la soledad” pela Cía Playground; “Periferia” pela Cía Voadora; “Concerto Desconcerto” pela Cía Entremans; “Dar patadas para no desaparecer” pela Cía Colectivo 96º; “Cos pés e só cos pés”-pela Cía D2; “Epílogos”pela Cía Toujours après minuit; “A mirada de Pier” pela Cía Nut Teatro; “Bicho eres un bicho” por Idoia Zabaleta e Filipa Francisco; “Alicia en Grusian Project” por Estela Lloves e Tania Arias; “Motor de busca” por David Marques; e“O alemán” por Diego Anido.

Incluído no ALT.o9, é realizado um programa especial, o ALT.Week End, que pretende, em quatro dias, concentrar propostas interessantes da nova produção galega e divulgá-la junto de programadores internacionais.

Toda a programação e informações gerais em http://www.festivalt.org/

sábado, 7 de março de 2009

Encontros ALCULTUR em Lagos


Com a participação 446 profissionais, termina hoje em Lagos mais um Encontro Alcultur.

Os Encontros ALCULTUR são um espaço e um tempo para encontros (e desencontros) de diferentes pessoas, projectos e organizações da (e de) cultura, potenciador de reflexão e debate, de investigação, aprendizagens e conhecimento, de inovação e criatividade, de novas ideias e projectos, de partilha de experiências e boas práticas, e de implementação de novas redes de cooperação. 

Constituem uma plataforma de contactos e relações formais e informais e materializam-se dando expressão à emergência das especificidades, das diversidades e das diferenças que caracterizam os múltiplos actores que, assumindo a cidadania, intervêm na cultura e na educação contribuindo para o desenvolvimento das pessoas e das comunidades.

A primeira edição dos "Encontros AlCultur" teve lugar em Portalegre, entre os dias 3 e 6 de Novembro de 2004, a que se seguiram Faro, Almada e Guimarães.

Esta Noite Improvisa-se

© Jorge Gonçalves

Esta Noite Improvisa-se, na Sala Garrett do teatro D. Maria II, está em cena até 05 de Abril.

O texto de Luigi Pirandello tem encenação de Jorge Silva Melo.

"Os Artistas Unidos regressam ao Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II) com o espectáculo Esta Noite Improvisa-se (1929), de Luigi Pirandello, um texto da última fase do autor, que conclui a sua trilogia do “teatro no teatro”, revolucionário no modo de representação no palco.
A peça estreou em Portugal em 1964, numa produção da Companhia de Teatro de Atenas dirigida por Dimitri Murat, e ganhou o primeiro prémio do Festival da Casa da Imprensa.
Produções dirigidas por João Brites e Fernando Mora Ramos inauguraram, em 1993, o espaço da Culturgest. A última versão do texto foi a produção italiana dirigida por Luca Ronconi, no TNDM II, em 1998.

A partir da tradução de Osório Mateus e Luís Miguel Cintra (publicada em 1974), revista por Jorge Silva Melo e José Maria Vieira Mendes, apresenta-se uma obra que se desenvolve numa despudorada relação entre os espectadores e os actores. Perante os espectadores de uma estreia, um encenador propõe aos seus actores uma improvisação a partir de uma pequena novela de Pirandello, Leonora, Addio! Será esse o ponto de partida para um labirinto de dúvidas, incertezas e contradições que se desenrolam diante dos espectadores e anunciam a ficção da própria realidade.
Segue-se aqui a triste história da família La Croce, numa cidadezinha de província, com a sua mãe casamenteira, filhas casadoiras, resignado pai que se entrega a delírios extra-conjugais, rapazes de arribação. E a vida que se fecha para a mais abnegada das quatro filhas da família La Croce, essa Mommina que sonhava vir a cantar Verdi nos grandes teatros e acaba fechada em casa, na tremenda teia de ciúmes que sobre ela foi construindo o marido, o tenebroso Rico Verri. E a vida, o que foi, a não ser um sonho, dirá Pirandello, um sonho de teatro?"


Interpretação Alexandra Viveiros, Alexandre Ferreira, Andreia Bento, António Simão, Cândido Ferreira, Carlos Marques, Cecília Henriques, Crista Alfaiate, Jéssica Anne, João Meireles, João Miguel Rodrigues, Joaquim Pedro, John Romão, Lia Gama, Luís Godinho/Pedro Carraca, Miguel Telmo, Pedro Lacerda, Pedro Luzindro, Ricardo Batista, Sara Belo, Sara Moura, Sílvia Filipe, Vânia Rodrigues, Victor Gonçalves, entre outros.

Cenografia e figurinos Rita Lopes Alves

Luz Pedro Domingos

Direcção musical Rui Rebelo

Co-produção Artistas Unidos e Teatro Nacional D. Maria II