quarta-feira, 15 de abril de 2009

Arena de olhares


A Associação Vo’arte em parceria com a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa e o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian, criaram a C.I.M. (Companhia Integrada Multidisciplinar) que integra bailarinos, pessoas portadoras de paralisia cerebral e técnicos especialistas no apoio a este tipo de doença.

Depois da apresentação de Sobre Rodas, surge agora um novo espectáculo intitulado O Aqui, evento transdisciplinar que cruza movimento, palavra, música, ritmo e imagem. Inspirando-se na ideia do labirinto de Creta, para alguns visto como metáfora do cérebro e do pensamento, o espectáculo constrói-se como uma viagem conjunta, de cariz poético, que procura pensar a posição do indivíduo no seio do colectivo em que se insere.

Um espectáculo de dança com uma narrativa por vezes fluída, por vezes fragmentada, onde se encontram mundos humanos com diferentes circunstâncias de ser e de estar, e se conquista um espaço de igualdade. Este trabalho da companhia CIM (companhia integrada multidisciplinar) pretende ser um lugar de paragem nas modelações e encenações que a sociedade produz em torno dos cidadãos com necessidades especiais, uma procura constante do humanismo saturado.

Em palco, por treze intérpretes, é criado um espaço de desafio, de questionamento, um espaço que instiga à re-avaliação de quem sou eu e de quem é o Outro. O palco transforma-se numa arena de olhares.

Um espectáculo que tem como tema o tempo, o tempo cronológico e o tempo interior, e o explora através do cruzamento de linguagens, tecendo uma peça em que os sentidos e as emoções nos conduzem a um reequilíbrio constante.

A coordenação artística deste espectáculo é da responsabilidade de Ana Rita Barata, Natália Luíza, João Gil e Pedro Sena Nunes.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Nova produção de EntretantoTeatro


Invasão, de Júnior Sampaio, apresentado no Forum Cultural de Ermesinde, entre 17 e 19 de Abril, é a nova produção do EntretantoTeatro.

Vestir se de Napoleão, D. João VI, D. Maria 1, D. Carlota Joaquina, Sr. Amável Tripeiro, índio Comelambe, Feijão Escurinho, Soldado Chumbinho, Piolho de Cabeça Real e muitos outros é o sonho de um professor lunático para a sua última aula de História. 

Revolucionários franceses tomam a Bastilha…

Napoleão coroa se a ele próprio Imperador da França…

Napoleão invade Portugal... 

A corte portuguesa “foge" para o Brasil…

A Ponte das Barcas não suporta o peso do pânico…

Guerras territoriais, jogos políticos, lutas de poder… intrigas passadas vividas no presente, na imaginação de um professor apaixonado pela sua profissão…

Criação, dramaturgia, encenação e interpretação de Júnior Sampaio.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Teatro Brigadeiro, em São Paulo, apresenta texto de Bernard Shaw


Desde 7 de Março e até 31 de Maio de 2009 o texto de Bernard Shaw, Cândida , está em cena no Teatro Brigadeiro, São Paulo.

Com tradução e encenação de Zé Henrique de Paula, a peça conta com um elenco composto por Bia Seidl, Sergio Mastropasqua, Patrícia Pichamone, Thiago Carreira, Fernanda Maia, João Bourbonnais e Thiago Ledier.

Amor, casamento e identidade masculina são os temas centrais da peça Cândida. Escrita em 1895, coloca em cena um adultério, praticado por Cândida, a devotada esposa do reverendo Morell, um pastor anglicano de ideologia socialista, abnegado e integralmente dedicado à sua causa político-religiosa. Cândida sucumbe aos encantos de um poeta galante, o jovem aristocrata Marchbanks. A situação, porém, ao invés de seguir os rumos esperados, tem uma inesperada reviravolta e Cândida acaba por dar provas de fidelidade a si mesma.

sábado, 11 de abril de 2009

Rui Mendes encena Strindberg


© Margarida Dias

Menina Júlia, de August Strindberg, estreia em 16 de Abril no Teatro D. Maria II, em Lisboa, numa encenação de Rui Mendes e interpretação de Beatriz Batarda, Albano Jerónimo e Isabel Abreu. 

A Menina Júlia, depois de ter rompido com o noivo, não acompanha o Pai numa visita a casa de parentes e passa a noite de S. João na sua propriedade na companhia dos criados que festejam a noite mais curta do ano. Durante o baile, inicia uma relação tempestuosa com João, o criado do Senhor Conde, o qual está noivo de Cristina, a cozinheira da casa.

Desejo, recalques, ódios, atracção e repulsa, conflitos de poder, de humilhações, o choque violento das classes sociais e dos sexos, tudo povoa uma noite trágica que conduzirá fatalmente à derrota de uma das partes em confronto. Um texto clássico da literatura dramática universal, pedra de toque de todo o teatro moderno.

Menina Júlia tem tradução de Augusto Sobral, cenografia de Manuel Amado e Ana Paula Rocha, figurinos de Ana Paula Rocha, luz de Carlos Gonçalves e música original de Rui Rebelo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dança em Madrid


Artistas e companhias de Brasil, Japão, Rússia, Iraque, Estados Unidos, França, Grécia, Principado de Mónaco, Reino Unido e Israel, numa mostra de arte sem fronteiras, estarão presentes na vigésima quarta edição do Festival Internacional “Madrid en Danza”, numa programação que abrange o flamenco, a dança de salão, o teatro dança, a dança clássica e a dança contemporânea.

Entre 13 de Abril e 3 de Maio, em vinte e um teatros de Madrid.

A programação completa em
http://www.madrid.org/madridendanza/2009/programacion.html

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O’Neill em Almada


UMA LONGA JORNADA PARA A NOITE, de Eugene O’Neill, com encenação de Rogério de Carvalho e produção da COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA, está em cena até 19 de Abril, no Teatro Municipal de Almada.

Altamente autobiográfica e oferecida à sua mulher no 12º aniversário do seu casamento, Uma longa jornada para a noite só foi publicada em 1956 - no entanto O’Neill havia deixado no seu testamento que só 25 anos após a sua morte o texto deveria ver a luz do dia. O sucesso obtido nos palcos, no ano seguinte, valeu-lhe o Prémio Pulitzer (póstumo), garantindo-lhe um lugar na estante das obras-primas da Literatura mundial.

Intérpretes | Elmano Sancho, Laura Barbeiro, Luís Ramos, Marques D’Arede, Teresa Gafeira
Tradução | Helena Barbas
Cenário | José Manuel Castanheira

terça-feira, 7 de abril de 2009

Nova co-produção do Centro Dramático Galego


Iván Marcos, em co-produção com o Centro Dramático Galego, estreia Eco.

Trata-se de uma produção de teatro contemporâneo criada, dirigida e interpretada por Iván Marcos.

A partir da exploração de diferentes formas de percepção sensorial e mediante uma linguagem teatral de carácter interdisciplinar, Eco investiga o momento em que um ente se liberta duma superfície e agarra a sua própria independência.

17, 18 e 19 de Abril, Salón Teatro, Santiago de Compostela

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Júlio Castronuovo encena Becket em Évora

DIAS FELIZES é um maravilhoso poema de amor, o canto de uma mulher que ainda quer ouvir e ver o homem que ama."

Winnie é uma personagem que cria o seu presente a partir de fragmentos de uma existência anterior. Está a afundar-se na terra. No Acto I está enterrada até à cintura, e passa o tempo entre a campainha que toca para acordar e a que toca para dormir tentando envolver Willie – o seu companheiro – na conversa, evocando memórias de uma vida anterior, em que a mobilidade era possível, contando histórias a si própria e remexendo nos seus objectos dentro do saco. O seu conflito interior reside no facto de o seu interlocutor lhe poder falhar e ter que passar a falar sozinha, coisa que não poderá suportar. 

 Na condição em que se encontra, é absolutamente necessário que encontre forma de passar o tempo “à moda antiga”, de forma a minimizar as adversidades que enfrenta, dia após dia. Assim, não pode parar de falar, para se obrigar a não pensar no que a atormenta, como não pode prescindir dos seus objectos, recordações palpáveis do que ela já foi e pode (enquanto os puder usar) continuar a ser, vivendo assim um “dia feliz” de cada vez.

Dias Felizes
de Samuel Beckett
Encenação: Júlio Castronuovo
Assistente de Encenação: Maria Marrafa
Cenografia: Carlos Barreira
Figurinos: Inês de Carvalho
Iluminação: António Rebocho
Interpretação: Isabel Bilou e Rui Nuno
  
Teatro Garcia de Resende, Évora
Em cena até dia 12 de Abril

domingo, 5 de abril de 2009

Dois Homens em Almada


Contando como intérprete Ivo Alexandre, termina hoje na Sala Experimental do Teatro Municipal de Almada a carreira de "Dois Homens", texto de José Maria Vieira Mendes com encenação de Carlos Pimenta.

A partir de diversos textos de Franz Kafka, a peça de José Maria Vieira Mendes - estreada em 1998 pelos Artistas Unidos apresenta-nos um homem fechado no seu escritório, submergido nos seus papéis. Arrumar é, para ele, uma acção concreta, quase uma prova de vida que esconjure a sua existência de condenado.

Mas, quem é este homem? K.? E quem é K.? Um homem no seu labirinto, um funcionário que “se faz centro de diversas narrativas, quase todas elas incompletas”. Como nós! Não. K.! Mas quem é K.?  - Carlos Pimenta

sábado, 4 de abril de 2009

A última fila no Teatro Ensalle


La última Fila é o título da nova produção da Companhia Teatro Ensalle, de Vigo, que abre o festival Isto Ferve 09. Desta vez a companhia põe em cena um espaço propício para o reencontro de quatro velhos amigos.

A obra, escrita e dirigida por Pedro Fresneda, com direcção coreográfica de Carmen Werner, põe em cena Raquel Hernández, Artús Rey, Gabriel Celester e José Martinez.

Até Domingo, dia 5 de Abril.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

The Cachorro Manco Show


O texto vencedor da 2a edição do prémio luso brasileiro de dramaturgia António José da Silva, promovido anualmente pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), Brasil, e pelo Instituto Camões, em parceria com a Direcção-Geral das Artes e o Teatro Nacional D. Maria II, é apresntado a partir de 8 de Abril, na sala Estúdio do Teatro D. Maria II, em Lisboa.

Nesta comédia dramática, uma stand-up comedy de um cachorro, um homem cão luso-brasileiro conta as suas histórias tentando convencer que merece ganhar abrigo e comida na casa de algum dono. “Ração por minha narração!”. Os excluídos, em diversas épocas da História, são representados nesse show-sermão do mendigo com vida de cachorro.

Texto | Fábio Mendes

Encenação | Moacir Chaves

Interpretação | Leandro Daniel Colombo

Direcção musical | Tato Taborda

Parceria FUNARTE/ DGARTES/ IC/ TNDM II

Teatro Nacional D. Maria II

Sala Estúdio
08 a 19 de Abril

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Estreia de Javier Martin


Javier Martín estreia no Teatro Colón (A Corunha) o seu novo espectáculo “...tabú resOrte (tabú revuelta)...”.

Na sua trajectória, este jovem criador e intérprete tem surpreendido com uma série de peças, destacando-se no panorama contemporâneo da dança. 

...tabú resOrte (tabú revuelta)... 

Teatro Colón - 23 de Abril 

terça-feira, 31 de março de 2009

Prémios Max atribuidos ontem em Las Palmas

Animalario voltou este ano a ganhar os prémios Max das Artes Cénicas. Trata-se de um dos grupos mais inovadores do teatro contemporâneo espanhol. Na edição de 2009, foram-lhe atribuídos cinco Prémios: encenação para Andrés Lima, melhor adaptação teatral para Alberto San Juan, melhor actor protagonista para Javier Gutiérrez e melhor produtor privado de artes cénicas, sendo este último ganho pela quarta vez em cinco anos. O Teatro LLiure ganhou o prémio para o melhor espectáculo teatral: “2666”, dirigido por Àlex Rigola.

“Cabaret líquido”, de Lavi e Bel, obteve o Max para o melhor espectáculo musical, e “Sirena a la plancha”, de Sol Picó, para o melhor espectáculo de dança.

“La tortuga de Darwin”, obteve dois prémios: Juan Mayorga como melhor autor em castelhano e Carmen Machi melhor actriz.

Dois prémios também para Carles Santos para encenação musical e composição para espectáculo, a obra “ Germanas”, melhor autor em catalão para Carol López e melhor actor secundário para Paul Berondo; Teresa Nieto, melhor coreografia e melhor intérprete de dança; “Barroco”, melhor iluminação de Juan Gómez-Cornejo e guarda-roupa para Angelina Adlagic.

O Max Hispanoamericano, ganho no ano passado pelo FITEI, foi este ano atribuído ao argentino Roberto Cossa, o Prémio de Novas Tendências para o festival de Madrid “Escena Contemporánea”. O Prémio da Crítica, atribuído por especialistas teatrais de toda a Espanha, foi para “Mes de Danza de Sevilla”, certame que se debate com dificuldades orçamentais, pese embora a sua grande importância.

A lista completa dos prémios pode ser consultada em

http://www.premiosmax.com/home/index.php


segunda-feira, 30 de março de 2009

Entre um e outro - Atelier de Composição Coreográfica


Entre um e outro - Atelier de Composição Coreográfica com Joclécio Azevedo, de 14 de Abril a 14 de Maio, organizado pelo Núcleo de Experimentação Coreográfica.

Público-Alvo: Intérpretes e estudantes de dança contemporânea e teatro físico, coreógrafos, pessoas de outras áreas interessadas na experimentação de estruturas de movimento em grupo.

O prazo para inscrição termina a 10 de Abril.

Contacto para mais informações: 96 1424668 / 91 3211428

 O espaço entre um e outro corpo, a distância comum cujas variações se configuram segundo diferentes situações e segundo normas culturais e sociais específicas, será o foco principal deste atelier. A exploração deste espaço e das suas características congrega inúmeras possibilidades de encontro, de diálogo e de conflito. Durante o atelier iremos abordar a utilização do espaço intermediário sob o ponto de vista relacional, à procura de criar possíveis intersecções, ressonâncias e zonas comuns. Que possibilidades temos de tornar habitável este espaço, de zelar pela sua fruição, de aumentar a sua potência? De que forma esta “negociação” espacial pode contribuir para a circulação de informação sobre a imagem que os indivíduos têm de si próprios, do seu papel no interior de um grupo e do contexto em que se inserem? Tentaremos desenvolver estas e outras questões incentivando aproximações diversificadas, de acordo com as características dos participantes e criando espaço para o desenvolvimento de estruturas coreográficas que possam comentar processos de socialização, interacção e espacialização. Vamos tentar em conjunto perceber como alguns destes factores influenciam as manifestações da nossa presença face aos outros e que relevância podem adquirir no interior de processos criativos no âmbito das artes performativas. O trabalho será maioritariammente prático, não sendo essencial formação específica em dança. Será entretanto importante e pré-disposição para o trabalho físico e para o contacto com os outros.

Este atelier insere-se no processo de pesquisa do projecto “Open Scores” a ser apresentada em Maio no CCB, em Lisboa, numa colaboração Drumming - GP / NEC.

domingo, 29 de março de 2009

Tambores na Noite no TNSJ


“Tambores é um perfeito exemplo da vontade humana. Fi-lo para ganhar dinheiro.” A confissão é do jovem Bertolt Brecht – um mulherengo, anarquista, songwriter, estudante de medicina, provocador, leitor de Rimbaud, e o que mais houver –, que assim revela o impulso que esteve na origem de uma peça que viria a causar profundo mal-estar ao Brecht da maturidade, ao ponto de levá-lo a equacionar a possibilidade de a excluir das “obras completas”. Afrontando o sentimentalismo, os ideais políticos e as boas intenções filantrópicas, Tambores na Noite exibe – contra o pano de fundo da Revolução Espartaquista na Alemanha do início do século XX – o esplendor de um herói… disfuncional, ou humano, demasiado humano: Andreas Kragler, proletário que, no regresso da frente de combate e do cativeiro em África, hesita entre a rua e a casa, a bandeira e a cama, a revolução e a noiva. A encenação de Tambores na Noite, que se torna agora a primeira de Nuno Carinhas na qualidade de Director Artístico do TNSJ, dá livre curso à força criativa da escrita do jovem Brecht, explorando os diferentes ritmos e os registos contraditórios de uma obra que subverte os modelos teatrais da época. Sob o signo de uma lua de sangue – nas palavras de B.B., “requisito quase imprescindível (e muito perigoso) das revoluções” – encena-se o mundo como circo da História… - In website TNSJ

de Bertolt Brecht

tradução Claudia J. Fischer
encenação e cenografia Nuno Carinhas
figurinos Bernardo Monteiro
desenho de luz Rui Simão
desenho de som Joel Azevedo
preparação vocal e elocução João Henriques
colaboração musical António Sérgio

interpretação Emília Silvestre, Fernando Moreira, Joana Manuel, João Castro, Jorge Mota, José Eduardo Silva, Luís Araújo, Marta Freitas, Paulo Freixinho, Pedro Almendra, Pedro Frias, Sara Carinhas e Pedro Jorge Ribeiro

produção TNSJ

Até 26 de Abril

sábado, 28 de março de 2009

Jornadas sobre Artes de Rua


A primeira das Jornadas Técnicas sobre Artes de Rua e Circo, realizadas na Catalunha, contaram com a participação de mais de sessenta profissionais, o que demonstra o interesse dos agentes ligados às artes cénicas por este tipo de encontros de formação.

Estas jornadas, organizadas pela FiraTàrrega e pelo Institut Català de les Indústries Culturals (ICIC), são dirigidas às empresas de artes cénicas, companhias especializadas em artes de rua, companhias de circo, de rua/sala, profissionais, técnicos e gestores culturais. 

A primeira das três jornadas realizou-se em 24 de Março, em Barcelona.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Dia Mundial do Teatro - Mensagem de Augusto Boal


Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida! Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro! 

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro. 

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, o palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver, tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Verdade escondida 

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro, apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós, em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da bolsa quando fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias. 

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre: no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida". 

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida. 

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma! 

Augusto Boal

quinta-feira, 26 de março de 2009

Prémio da Crítica atribuído a João Brites


A Associação Portuguesa de Críticos de Teatro atribuiu o Prémio da Crítica, relativo ao ano de 2008, a João Brites pela criação de Saga - Ópera extravagante.

O júri foi constituído por Ana Pais, Constança Carvalho Homem, João Carneiro, Maria Helena Serôdio e Rui Pina Coelho.

O mesmo júri decidiu ainda atribuir três Menções Especiais, respectivamente, à actriz Carla Galvão, ao encenador Miguel Loureiro, e ao encenador Nuno Cardoso.

A distinção atribuída pelo júri da APCT a João Brites sublinha o que, no seu trabalho criativo realizado em 2008 com o bando, se revelou consistente com uma opção estética que vem construindo inventivamente há mais de 30 anos, mas que não exclui a surpresa e, por vezes mesmo, o assombro. Foi manifestamente o caso do espectáculo Saga – Ópera extravagante, uma produção ousada que irrompeu no claustro interior do Museu de Marinha (em Belém) e que se revelou original na concepção, arrojada na realização cenográfica, bem como festiva na componente musical e na voz de cantores líricos, populares e de heavy/rock.

Interpelando uma vez mais lugares importantes da nossa literatura e do nosso imaginário, João Brites partiu aqui de dois contos de Sophia de Mello Breyner Andresen (Saga e Silêncio) para os reconciliar com uma vibrante e comovente partitura operática de Jorge Salgueiro, a que se acrescentava uma impressiva presença de 60 músicos da Banda da Armada e interpretações notáveis de cantores e actores. Uma criação invulgar que conferia espessura simbólica aos sentimentos evocados nos textos de Sophia e que reconstruía em cena algumas das perplexidades que atravessam a interrogação de nós próprios na cultura portuguesa.

Sobre a attrubição da Mensão especial à actriz Carla Galvão, o juri refere que, desde cedo a jovem actriz acostumou-nos a trabalhos de grande apuro e exigência, mas no ano transacto atingiu patamares de particular excelência. Depois de nos encantar com a narração mágica de Contos em Viagem: Cabo Verde (Teatro Meridional, 2007), atingiu-nos com a brutal recriação de uma filha prostrada na cama pela doença em Acamarrados (Artistas Unidos), para em seguida nos maravilhar com a jovialidade contagiante de uma neta sonhadora e cantora em Canção do vale (Teatro dos Aloés). Actriz com uma identidade artística bem definida, Carla Galvão habita de forma intensa os universos simbólicos em que se movimenta e põe a sua vasta paleta expressiva ao serviço dos espectáculos e dos diferentes projectos que vai abraçando sempre com a mesma imensa generosidade e com a mesma qualidade superlativa

Sobre o encenador Miguel Loureiro, refere também o juri que ao longo do seu percurso como actor e encenador, sobretudo nos projectos que promoveu, desenhou um território único, revelador de um imaginário exuberante mas depurado, sustentado por uma sólida e erudita linha de interrogações sobre o teatro e a performance. Em 2008, depois do estival Strange Fruit, a sua encenação de Juanita Castro, de Ronald Tavel (estreado como filme pela mão de Andy Warhol, em 1965), surgiu como uma inesperada pedra no charco no panorama performativo português. Reunindo actores e afectos em torno de um projecto sem outros recursos que os de uma logística básica e camaradagem profissional, Juanita não só firmou um extraordinário sinal da vitalidade do fazer teatral, tantas vezes abafado por ambições desmedidas ou fórmulas gastas, mas também constituiu uma brilhante e oportuna interpelação da história da performance e, consequentemente, do seu lugar nela. Por isto, este projecto mereceu uma menção especial do júri que assim se declara em total desacordo com a afirmação do encenador na folha de sala "Juanita Castro é um espectáculo que poderia não ser feito". Ainda bem que o fez. 

Por último, o juri considerou que, enquanto encenador, Nuno Cardoso tem vindo a descrever nos últimos anos um notável percurso de apropriação dos clássicos da dramaturgia europeia, dentre os quais se destacam Ibsen, Wedekind e Büchner. 2008 foi o seu ano de estreia com Tchekov, tomando como laboratório uma peça de juventude, a pérola irregular a que convencionou chamar-se Platónov. Nuno Cardoso assina um espectáculo excepcional que devolve com vigor e sageza o capítulo introdutório da mais familiar narrativa tchekoviana: ruína, paralisia, futilidade, inconstância. O encenador chama velhos e novos cúmplices à construção de uma atmosfera encantatória onde se sucedem, por entre os serões de província, pequenos delitos e hesitações. Com um conjunto de intérpretes justíssimo e uma acentuada vertente coreográfica e visual, Platónov foi, sem dúvida, um dos vértices do teatro que pudemos ver em 2008.

Inestética: audição Bailarinas/Performers

A Inestética procura bailarinas com experiência artística e formação técnica para performance de Alexandre Lyra Leite, a estrear em Maio de 2009.

Tratando-se de um projecto com influências do teatro/dança japonesa, serão seleccionadas intérpretes que demonstrem rigor, fluidez, concentração e objectividade na execução do movimento.

A audição decorrerá em Vila Franca de Xira, no dia 1 de Abril (local e horário a confirmar após recepção da inscrição).

DISPONIBILIDADE > Abril (ensaios), Maio (apresentações)

INSCRIÇÃO > enviar CV e FOTO até 30 Março para inestetica@mail.telepac.pt

Caso se justifique será efectuada uma pré-selecção através de CV.

www.inestetica.com

Companhia instável procura assistente administrativo(a)

A Companhia Instável procura assistente administrativo/a, com conhecimentos na área de produção de espectáculos, para um part-time de 20 horas semanais.

Solicita-se envio currículo até dia 3 de Abril, 6ª feira, para e-mail: c.instavel@mail.telepac.pt

Local: Porto