
Da antiga lavandaria do Hospital Termal das Caldas da Rainha para o claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória,
Letra M faz o seu caminho por espaços ditos “não convencionais”, os únicos capazes de conterem e funcionalizarem o dispositivo cénico e as pinturas de
João Vieira, naquele que viria a ser o derradeiro acto performativo de um dos mais notáveis criadores portugueses das últimas décadas. Cultor de paradoxos, o encenador
Fernando Mora Ramos fala-nos de um espectáculo “sem vocação para a morte”, isto porque nele quis centralmente reflectir sobre a “vida como desejo vital”. No interior do
cenário concebido por João Vieira, lugar de arremesso de palavras e gestos, António Durães e Paulo Calatré trazem à presença dos espectadores
O Lavrador da Boémia, de
Johannes von Saaz, escrito em 1401 na sequência da morte da esposa amada. Texto iluminado em noite de trevas, este duro combate dialogado entre duas personagens – a Morte e o Lavrador – celebra a beleza da amada desaparecida na juventude da vida, contrariando assim, através da criação poética, o gesto destruidor da morte. Não será esse o papel da arte: tentar os impossíveis, rebelar-se contra a Grande Regra? -
in wesite do TNSJCom interpretação de António Durães e Paulo Calatré (com Isabel Lopes e Cristina do Aido), numa co-produção Teatro da Rainha/TNSJ e encenação de Fernando Mora Ramos.
Até 13 de Fevereiro no Mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto.