domingo, 11 de dezembro de 2011

As Mulheres de Água no Teatro Turim



Depois da (dupla) homenagem a Sebastião Alba e Carneiro Gonçalves, intitulada Karingana (que estreou no Teatro da Trindade em 2000), Luís Carlos Patraquim cria, desta vez em monólogo teatral – o texto As Mulheres de Água.

Monólogo de uma jovem mulher, hoje, na Europa, Portugal. Partir daqui, da circunstância de um corpo em situação. Ela está no palco, com o Ser da voz, a densidade dessa presença, do silêncio para a elocução, criação de mundo. Ela é a fonte, escreveu um poeta. Mas de que águas falará, inumeráveis, tingidas, lívidas, espumosas, agónicas, torrenciais? Jovem mulher aqui, em situação. Comentando-a, devaneando, sonâmbula e lucidamente acutilante. Ela é o dia com a noite dentro… o fio condutor é ela, jovem mulher, corpo e Ser, aqui, hoje, Portugal, em situação.”

As Mulheres de Água é uma produção de Bica Teatro. Está em cena no Teatro Turim, em Lisboa.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Guillermo Heras orienta seminário no Porto

Guillermo Heras já é conhecido do público do Porto. Esteve no FITEI 2009, onde apresentou a conferência 'As Artes Cénicas IberoAmericanas e o papel da Iberescena'. Volta agora ao Porto, onde orientará, nos dias 14, 15 e 16 de Dezembro, um seminário organizado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e pelo Teatro Nacional S. João.

Nascido em 1952, em Madrid, Guillermo Heras é uma das mais multifacetadas figuras do teatro espanhol. Encenador premiado de espectáculos de teatro e ópera, gestor cultural (é, desde 2006, coordenador da Unidade Técnica do Programa Iberescena), ensaísta (destaquemos Escritos Dispersos, volume onde compila textos teóricos sobre artes performativas), dramaturgo e, por último mas não em último, pedagogo. É nesta qualidade que se apresenta no Teatro Nacional S. João, a convite da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, para orientar o seminário Texto e Representação no Teatro Contemporâneo Espanhol e Ibero-Americano. Ao longo de três dias, e através de reflexão teórica, leituras de fragmentos de textos dramáticos e visionamento de vídeos, Guillermo Heras propõe-se estabelecer uma visão panorâmica da relação entre texto e representação a partir do trabalho desenvolvido por autores, encenadores e intérpretes no espaço ibero-americano. Este seminário destina-se a estudantes e profissionais de artes cénicas, bem como a todos aqueles interessados nas relações da dramaturgia contemporânea com outras áreas de criação da cena ibero-americana.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Morreu o dramaturgo Luiz Francisco Rebello


O advogado, dramaturgo e crítico teatral Luiz Francisco Rebello morreu nesta quinta-feira em Lisboa, aos 87 anos.

Também ensaísta e historiador de teatro, Luiz Francisco Rebello, que presidiu durante 30 anos à Sociedade Portuguesa de Autores (1973-2003), esteve internado várias vezes desde o início de Setembro e acabou por morrer ao fim da tarde de hoje no Hospital Particular de Lisboa.

Nascido a 10 de Setembro de 1924 e viúvo da actriz Mariana Villar, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e especializou-se na área dos direitos de autor.

Foi vice-presidente da Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores e em 1992 fundou, juntamente com José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel da Fonseca e Armindo Magalhães, a Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC).

Estreou-se como dramaturgo em 1947, com Fábula em Um Acto, e escreveu depois as peças O Dia Seguinte (1953), Condenados à Vida (1963) e É Urgente o Amor (1958), entre outras.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

'ALVA 7.0', uma performance de Sónia Baptista

No tempo em que as máquinas falavam, era uma vez... uma história contada outra vez.ALVA 7.0 traz de volta, a um futuro próximo, a memória de uma história antiga, a de Branca de Neve. A versão mais popular e que cristalizou a história para as gerações futuras foi... publicada numa compilação de contos tradicionais e folclóricos pelos irmãos Grimm em 1812.De 1812 num ápice se salta até ao ano 2112 e a história ainda vale. A Branca agora Alva, não se perde no bosque antigo mas deambula através de uma paisagem robótica e futurista, num tempo em que as máquinas falam e se emocionam.Alva ainda tem coração de princesa, que uma rainha perversa quer possuir. Nesta história que agora se rescreve, conta-se como o coração de Alva se livra do mal com uma canção, como cresce ao conhecer a irmandade de 7 pequenos robots e como se torna forte com a amizade. O desfecho da aventura fica aberto, deixando o sabor da promessa.Para se contar o conto de ALVA 7.0 conjugam-se no espaço do teatro, do espectáculo, várias linguagens performativas, que os intérpretes exploram através do seu desempenho: a dança, o texto, o canto e a música. A estas adiciona-se a tecnologia e o virtual, trazidos à cena pela utilização de mecanismos robóticos dotados de carisma e de emoção que irão interagir com a história e com os intérpretes, deslocando-se no espaço em coreografias mecânicas e franzindo o nariz quando for caso disso.

Sónia Baptista - direcção artística, projecto de cena,co-criação vídeo, música e interpretação
Miguel Bonneville e António Júlio - intérpretes
Helena Nogueira-Silva - co-criação vídeo, animação e programaçãokinect, música

No Teatro Turim, 9 e 10 de Dezembro.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prémio para a ARTEZBLAI

A Editorial Artezblai foi galardoada pela Associação de Autores de Teatro (AAT) com o Prémio “Melhor Trabalho Editorial” atribuído anualmente por esta entidade. A entrega deste galardão de reconhecimento, uma estatueta que alude ao tema ‘O teatro também se lê’, terá lugar no dia 15 de Dezembro na Sessão Inaugural do XII Salão do Livro Teatral que estará patente no Teatro Juan del Enzina da Universidade de Salamanca.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MENÚ DEGUSTOACCIÓN chega a Madrid

A companhia Francachela Teatro chega a Madrid, com o seu espectáculo MENÚ DEGUSTOACCIÓN, onde se apresentará no Circulo de las Artes, a partir do dia 10 de Dezembro.

Francachela teatro nasce em Valência no ano de 2008 unindo um grupo de profissionais do espectáculo com grande experiência.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma divertida comédia em Almada

Joaquim Nicolau, Marques D’Arede, Jorge Silva e André Gomes são alguns dos actores que encabeçam o elenco da mais recente criação da Companhia de Teatro de Almada: O teatro cómico, de Carlo Goldoni, com direcção do encenador italiano Mario Mattia Giorgetti. O espectáculo está em cena até 18 de Dezembro, na Sala Principal do Teatro Municipal de Almada.

Nesta comédia, Goldoni sintetiza aquela que viria a ser a sua contribuição para o estabelecimento da comédia nova, isto é, uma forma teatral que se emancipasse da antiga commedia dell’arte. A revolução impulsionada por Goldoni consistiu em conferir à comédia nova o estatuto de uma categoria literária: os textos passaram a ser fixados, e ditos por actores que se libertaram das máscaras e passaram a reivindicar a utilização dos teatros, em vez de palcos improvisados. Utilizando uma típica “companhia de cómicos” da época, Goldoni mostra-nos as tensões e conflitos que uma tal revolução implicou, dando o exemplo de um grupo de actores que ensaia uma obra da comedia dell’arte (O pai rival de seu filho).

domingo, 4 de dezembro de 2011

Grupo Galpão estreou “Eclipse”, em Belo Horizonte


O Grupo completa o projeto “Viagem a Tchékhov”, com lançamento de novo espetáculo. No dia 3 de Dezembro, o Grupo Galpão estreou o novo espetáculo “Eclipse”, livre adaptação da obra de Anton Tchékhov. A direção é do russo Jurij Alschitz, com assistência da lituana Olga Lapina e do mineiro Diego Bagagal. A temporada segue até 18 de Dezembro, no Galpão Cine Horto.

Eclipse” completa o projeto “Viagem a Tchekhov”, lançado pelo Grupo Galpão em 2011. O Grupo propôs um mergulho, durante um ano, na obra do autor russo, com o objetivo de montar dois espetáculos. Para embarcar nesse desafio, pela primeira vez, a trupe se dividiu: em abril deste ano, Antonio Edson, Arildo de Barros, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Paulo André, Teuda Bara e a atriz convidada Mariana Muniz, participaram da primeira montagem, “Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)”, que teve estreia nacional em Curitiba e depois seguiu em turnê pelo país. O clássico de Anton Tchékhov esteve sob direção da mineira Yara de Novaes. Agora, Chico Pelúcio, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia e Simone Ordones se preparam para lançar a segunda montagem do projeto, “Eclipse”, que propõe uma livre visitação à obra do escritor russo. Para o ator Chico Pelúcio, “montar Tchékhov expressa as aspirações individuais e coletivas do grupo e, ao mesmo tempo, retrata a fase de maturidade do Galpão, que completa 30 anos de existência em 2012”, diz.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Tragédia de Ésquilo transporta para os nossos dias

La Orestiada não faz a apologia do narcotráfico; apenas conta a história de Esquilo. Emmanuel Morales dirige uma encenação interactiva realizada na Casa del Lago, Bosque de Chapultepec, no México. O mundo dos gregos era tão sangrento como o dos narcotraficantes actuais. 'Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência', dizem os produtores de La Orestiada, clássica tragédia grega (de Esquilo) que nesta adaptação decorre, não nos tempos de Troia, mas algures no México, numa família de narcotraficantes que vive numa zona privilegiada.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sarah Kane representada pela primeira vez na Galiza

A companhia Arela das Artes estreia o seu último espectáculo, Degoiro (Crave), de Sarah Kane, no sábado dia 3 de Dezembro no Auditório Municipal de Vigo. Com encenação de Diana Mera, música original de Paulo González e interpretação de María Salgueiro, Vicente de Souza, Xosé M. Esperante e Diana Mera, esta montagem constitui a primeira apresentação na Galiza de um texto de Sarah Kane. Xurxo Fernández interpreta a música desta encenação.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sessão no Norte de Portugal com o vídeo 'A Filha Rebelde'

No CACE Cultural do Porto (antiga Central eléctrica do Freixo), o Teatroensaio em parceria com a AJANorte e a Admnistração do Grupo “Filha Rebelde” organizam uma sessão com o visionamento em DVD da peça A FILHA REBELDE, com a presença de Carlos Fragateiro, um dos arguidos (agora absolvido) no processo-crime movido pelos herdeiros do antigo inspector-geral da PIDE, levando a tribunal o autor da peça como mais alguns protagonistas, por "ATENTADO AO BOM NOME de uma pessoa que esteve convictamente ao serviço de uma SINISTRA instituição repressiva....”
Estará também presente Valdemar Cruz, um dos autores do livro que deu origem à peça.

Escrita por Margarida Fonseca Santos e encenada por Helena Pimenta, a peça foi apresentada em Lisboa, Madrid e Porto, no âmbito do 30ª FITEI.
O programa inclui a projecção do vídeo da peça (com apresentação de Carlos Fragateiro, que era director do Teatro Nacional D. Maria II e a quem se deve a produção da peça), apresentação do Livro (com Valdemar Cruz, um dos autores) e debate.

Esta Sexta-feira, às 21h30, no CACE Cultural.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A PAIXÃO SEGUNDO EURICO

Num mundo em convulsão, Eurico vive um amor impossível por Hermengarda.
Em busca de paz abraça a religião, veste o hábito de monge e refugia-se na poesia.
Isolado, assiste inquieto à degradação política da nação.
Quando a guerra é declarada resolve pegar em armas.
O prazer de desafiar a morte inebria-o.
A destruição está por todo o lado. Reina uma nova ordem.
O amor seria agora possível não fosse tarde demais.
Península Ibérica. Ano de 749.
Os Godos, anteriormente apelidados de “bárbaros”, agora romanizados e politicamente corruptos, detêm o poder.
Ao sul da Península assiste-se ao desembarque dos Árabes, à vitória gradual do Corão sobre a Bíblia e ao início do califado do Al-Andaluz.

A PAIXÃO SEGUNDO EURICO, na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, a partir de Alexandre Herculano, com dramaturgia e versão cénica de Ana Vaz, Cristina Carvalhal, Graça P. Corrêa, Inês Rosado, Pedro Filipe Marques e Sara Carinhas e interpretação de Cristina Carvalhal, Inês Rosado e Sara Carinhas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

La noche de Max Estrella, a partir de Luces de Bohemia, de Valle-Inclán, agora na Galiza

Em Dezembro, o Centro Andaluz de Teatro, em co-produção com o Centro Dramático Galego, estará no palco do Salon Teatro, em Santiago de Compostela (dias 1, 2, 3 e 4) com a sua nova produção, La noche de Max Estrella, estreada no passado mês de Outubro em Sevilha. Com dramaturgia e a direcção cénica de Francisco Ortuño, a montagem conta com o veterano actor Carlos Álvarez-Nóvoa.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Companhia Ensaio Aberto apresenta o espetáculo Missa dos Quilombos, com músicas de Milton Nascimento e texto de Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga

Visto por mais de 65 mil espectadores, sucesso de crítica, Missa dos Quilombos é um manifesto abolicionista de todas as escravidões e é um convite ao respeito à diversidade das manifestações religiosas. Com músicas de Milton Nascimento, textos de Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra e direção geral de Luiz Fernando Lobo, Missa dos Quilombos traz a história dos negros no Brasil misturando o rito católico com as expressões da cultura afro-brasileira. Com direção musical de Túlio Mourão e direção de percussão de Robertinho Silva, o musical conta com 31 artistas em cena e canta os novos Quilombos, as novas formas de resistência, as novas utopias.

Está feito o convite para a nova apreasentação deste espetáculo e celebrar este momento com a Companhia Ensaio Aberto. A nova temporada será de 3 a 20 de Dezembro, no Armazém da Utopia, Rio de Janeiro.

domingo, 27 de novembro de 2011

Oficinas de criação com Alicia Soto

A bailarina e coreógrafa Alicia Soto anuncia, com a sua companhia Hojarasca, a realização de diversas acções de formação na área das artes cénicas integradas no conceito geral : o movimento e a palavra. Esta formação, que terá início em Janeiro, destina-se a bailarinos e actores profissionais ou em processo de formação. Realiza-se no Teatro Zorilla, em Valladolid.

A 'Oficina de criação e qualidade de interpretação em cena' centra os seus conteúdos no desenvolvimento e potenciação do intérprete em cena, partindo das ferramentes actorais ou corporais. O conteúdo da 'Oficina de movimento a partir da dança contemporânea' pretende desenvolver a técnica do movimento desde o conhecimento básico do corpo e da sua energia, no tempo e no espaço.

Eloisa Manjón, da companhia Hojarasca Danza coordena todos estes cursos e pode ser contactada para outras informações - comunicacion@hojarasca-danza.com

A duração destas formações é de 3 meses.

sábado, 26 de novembro de 2011

Os contos de Arthur Azevedo levados à cena no Rio de Janeiro

O espectáculo AMOR CONFESSO, dirigido por Inês Viana, uma comédia a partir de oito contos de Arthur Azevedo, vai estar em cena no Rio de Janeiro até 15 de Janeiro. Os contos que dão origem ao espectáculo são: “Como o Diabo as Arma!”, “Vingança”, “Sabina”, “Toc Toc Toc”, “A Melhor Amiga”, “Incêndio no Polytheama”, “A Ama-Seca” e “Uma aposta”, histórias bem humoradas que apresentam tramas cheias de traição, desilusões amorosas e sem o esperado final feliz. Agora eles estão no palco, horas antes da cerimónia do seu casamento, dividindo com o público a dúvida: “Vale a pena casar?!”

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

REI DUAS VEZES

O que diria um português do séc. XII se acordasse do sono eterno em pleno 2011, num país feito de milhões de automóveis, computadores e aparelhos televisivos? Fugiria para uma das inúmeras feiras medievais? REI DUAS VEZES conta a história de um grupo de rapazes que entra às escondidas na igreja de Santa Cruz e sem querer desperta o primeiro português de todos, Dom Afonso Henriques. A par dos atores d’O TEATRÃO, o espetáculo conta com a participação de um grupo de alunos finalistas do curso de interpretação do Colégio São Teotónio – contemporâneo de Dom Afonso.

Até 23 de Dezembro no Teatrão, Coimbra.

Texto de Jorge Louraço Figueira, com direção de Isabel Craveiro e interpretação de Inês Mourão, João Castro Gomes, João Santos, Nuno Carvalho, Pedro Lamas (atores d'O Teatrão), Ana Carolina Paulete, Beatriz Batista, Cátia Félix, Daniela Tavares, Dinis Ludgero, Diogo Geraldes, Fernando Alves, Jaime Simões, Óscar Martins, Ricardo Figueiredo, Susana Gaudêncio e Valentina Carvalho (alunos do Colégio São Teotónio)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Myriam Gleijer dirige os actores Claudia Trecu e Marcos Zarzaj numa comédia

De quinta a domingo na Sala Atahualpa de El Galpón, no Uruguai, está em cena "¿Estás ahí?". Trata-se de um texto do dramaturgo argentino Javier Daulte encenado por Myriam Gleijer e com interpretação de Claudia Trecu e Marcos Zarzaj. Este autor argentino, nascido em Buenos Aires em 1963, foi fundador do grupo Caraja-ji, uma equipa de dramaturgos que procurou romper com as convenções teatrais através de obras de cariz experimental.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Este corpo que me ocupa" de João Fiadeiro


Se tivesse que reduzir numa só palavra o meu "modo de operação", aquilo que me move e me define enquanto artista, diria que funciono e trabalho com o "resto". O "resto" é aquilo que fica, que foi esquecido (porque não existe crime perfeito). O "resto" é o que cria "vazio". E é a prova da ausência de uma presença. Ou, melhor ainda, é a presença de uma ausência. É no "resto" que vamos encontrar os rastos para darmos início à impossível tarefa de re-construir o mundo, uma e oura vez. Atrai-me esta ideia de saber que algo cá esteve antes de mim e que o que ficou, resistiu.
O resto é também o que está entre o corpo e "a presença do outro no corpo", uma fuga permanente para coisas que ainda não são, para coisas que podem ser. E é nisso que penso: em como dar a ver o que não está lá. Como trabalhar com uma matéria tão volátil como o vazio. Como apresentar o "entre" das coisas. E, pior ainda, como representá-lo?
- João Fiadeiro


"Este corpo que me ocupa" de João Fiadeiro,dia 26 de Novembro, Sábado, às 21h30, no Teatro Municipal de Vila do Conde.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

El Jardín de las Delicias

"El Jardín de las Delicias", que segundo alguns especialistas é a última e mais contundente obra de teatro pânico, foi montada pela primeira vez em Espanha quarenta anos depois de ser escrita.

Numa co-produção do grupo Curtidores de Teatro e Proyecto Bufo, com encenação de Rosario Ruiz Rodgers, é criado um espectáculo que põe em evidência a riqueza de um texto que nos transporta para um universo próximo da obra homónima de Bosch.

A sala Cuarta Pared de Madrid acolheu a estreia da obra, que contou com a presença de Arrabal.

Fernando Arrabal começou a escrever a peça na prisão e terminou-a em 1967, após a sua libertação. Aborda a procura da felicidade e o direito de procurá-la nos acontecimentos das nossas vivências. Arrabal pôde agora vê-la, finalmente, representada em castelhano.

O espectáculo segue agora para digressão em diversos palcos de Espanha