sábado, 26 de junho de 2010

Destaques do Festival de Almada


Uma lição dos aloés, de Athol FUGARD, com encenação de José PEIXOTO, abre o Festival de Teatro de Almada, no próximo dia 4, pelas 22h00. Um africânder, Piet, aguarda o seu amigo de "cor" Steve e a família deste para um jantar de despedida. Na espera tenta identificar um aloé desconhecido cuja colecção e estudo é a sua última grande paixão. A sua mulher, Gladys, emocionalmente desequilibrada devido à apreensão dos seus diários pela polícia, tem uma total descrença na sociedade em que vive. Entretanto, o amigo aparece sozinho, pois a sua mulher não confia em Piet. No desenrolar da trama constata-se que se é possível classificar os aloés já o mesmo não sucede com as pessoas, pois estas modificam-se e afastam-se da matriz original.Intérpretes Daniel Martinho, Elsa Valentim e Jorge Silva.

Destaque nos primeiros dias do festival (dia 5) é o regresso de Diálogo de um cão com o seu dono sobre a necessidade de morder os seus amigos, de Jean-Marie PIEMME, com encenação de Philippe SIREUIL. O público votou e o espectáculo está de volta ao Festival de Almada como Espectáculo de Honra da edição deste ano. Vamos rever os actores Philippe Jeusette e Fabrice Schillaci nesta deliciosa farsa do dramaturgo Jean-Marie Piemme. Nela se conta a história de um encontro improvável entre um homem e um cão. O primeiro é porteiro de um hotel de luxo, mas mora numa caravana; o segundo passa o tempo a fazer cabriolas à frente dos carros para saborear o rangido das derrapagens. A caravana, a poltrona esventrada, um céu negro ou cor-de-rosa, uma cauda, orelhas e um focinho falsos, a vistosa libré de porteiro do Hotel Claridge são sinais de um mundo de pernas para o ar, em que só o discurso desconcertante das personagens parece fazer sentido.

Ainda no início do festival Dança da morte, a partir de textos portugueses e espanhóis dos séculos XIV a XVI, com dramaturgia e direcção de Ana Zamora. A nova criação de Ana Zamora recupera textos portugueses e espanhóis dos séculos XIV a XVI, centrados na temática da morte. A peste negra, pandemia que assolou a Europa durante o século XIV dizimando um terço da população, desencadeou uma intensa reflexão acerca da precariedade da vida, sendo a «dança macabra» uma das suas expressões culturais mais impressivas. Neste espectáculo, actores (destacando-se Luís Miguel Cintra), títeres e músicos confrontam o apagamento contemporâneo da morte com esta sua dramatização arcaica, tão satírica quanto esperançosa. Os intérpretes são Luis Miguel Cintra, Sofia Marques e Elena Rayos, com interpretação musical ao vivo. Entre 6 e 13 de Julho.

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